Egito, Religião e John Lennon


Passeando hoje por San Francisco nos deparamos com uma manifestação contra o governo egípcio e a ajuda americana ao governo totalitário. Para entender as definições, veja na Wikipedia um artigo sobre

, e se quiser uma versão melhor, leia a versão em inglês sobre

Aproveitando a agenda, alguns já aproveitaram para protestar contra as guerras americanas que tem viés imperialista,

e contra a presença imperialista americana no Oriente Médio.

Fiquei então pensando sobre como este povo, dito alienado, estava se agrupando para lutar pela distante causa da população egípcia. Uma sociedade de 6 mil anos de idade que ainda não se organizou satisfatoriamente. Vi um tanto de pessoas de aparência árabe na manifestação, possivelmente de origem egípcia. Mas muitos eram americanos mesmo. Fiquei meditando sobre isto e imaginando se no Brasil a gente conseguiria agrupar 50 pessoas para conclamar a favor de alguma minoria em sofrimento pelo mundo. Talvez sim, não sei. Eu sou meio alienado.

Para quem não sabe do contexto, o governo egípcio desligou completamente a Internet no Egito esta semana. Simples assim. A razão é que começaram a se intensificar protestos contra o governo no Twitter e Facebook e para evitar que a comoção tivesse maiores proporções, interromper a comunicação pareceu uma solução boa. Não funcionou, claro.

A caminho de casa eu ouvi no rádio a canção Imagine de John Lennon. A parte que tem me feito pensar há algum tempo é esta:

em português, com tradução livre e libertária, seria assim:

(Obama, fique ao lado do povo! Pare de financiar crimes contra a humanidade)

E porque a existência de nações impede as pessoas de viverem em paz? Porque a religião separa as pessoas? Vamos pensar sobre isto.

É dito que na democracia “O poder emana do povo e em seu nome é exercido”. Sob esta ótica, os governos autoritários o são sem o consentimento de seu povo. Eu discordo. Os regimes totalitários também emanam de seu povo, de sua aceitação e de sua inércia. Estou lendo a biografia de Dietrich Bonhoeffer, que foi um teólogo ativista contra o nazismo na Alemanha, e é claro a anuência recebida por Hitler da sua população. Certo que ele foi sagaz e manipulador, mas definitivo foi que as pessoas de bem não agiram quando o mal insurgiu. A omissão de oposição é o pior tipo de apoio. Se outros Bonhoefer tivessem se levantado há 80 aos atrás, teríamos outra história.

Sendo que todo poder emana do povo, todo poder exercido contra o povo é proveniente de um governo falso. Falso no sentido de se negar a cumprir sua missão básica que é defender e lutar pelo bem estar de seus governados. Se os governos e nações levam as pessoas à luta, guerra ou morte, são governos ilegítimos em sua essência. O povo merece um governo que o defenda e o terá se der-se ao trabalho de constituir tal governo.

Neste banco dos réus devemos colocar agora a religião. Como uma filosofia que tem por objetivo reunir os homens ao seu Criador promove a distância entre as pessoas? Mais especificamente, como o cristianismo pode ser um instrumento de divisão, quando é muito claro que o papel dos cristãos é de, como embaixadores de Deus, reconciliarem o mundo com o próprio Deus (2 Co 5.17-20)? Uma religião, igreja, comunidade que olha para os outros como se estivesse em um patamar superior, considerando os demais indignos de sua convivência, amizade e amor, é falsa em sua essência. Vou repetir em português mais claro: se seu líder espiritual, sua igreja ou seja lá quem for lhe passar a idéia de que você, por ser seguidor é melhor que os não seguidores, você está vivendo uma religião falsa.

Na manifestação tinha até um provedor de Internet aproveitando para aparecer. Veja o site do

.

E as crianças continuam nos dando o exemplo. Jesus avisou que deveríamos aprender com elas, ser como elas. Mas nós ignoramos absolutamente tudo o que não se adequa aos nossos interesses.

Enquanto não nos tornarmos como crianças, religião e governos vão suscitar manifestações e menções criticas nas canções de paz.

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