Até cachorro é um ser social


Esta é a Brisa, nossa cachorrinha. Cachorrinha é um modo de dizer, porque ela consegue de pé bater as patas quase no meu ombro. A Brisa hoje tem 4,5 anos e sua história é interessante.

Logo após termos nossa casa arrombada e nossos pertences – justo aqueles queridos, conquistados com muito suor, ou seja, os caros – levados de nós, ficamos sabendo que havia uma cadela colocada para doação. Num sábado chuvoso, estávamos olhando para a porta substituta, ainda sem o devido acabamento e pintura, tristes e pensativos. A Carina, num rompante qualquer, sugeriu que fôssemos ver o tal cachorro. Eu, que nunca gostei de cachorro topei.

Chegamos ao canil e lá estava esta cachorra grande, carente e folgada. Já pulou em cima de mim, assustando a Carina e os meninos. Estava quase sem pelos, machucada e em recuperação dos 9 filhos que lhe haviam nascido recentemente. A criadora esta sem condições e a alimentava com pães a cada manhã.

Folgada como é, já chegou achando que a casa era dela e acabou fazendo parte da família.

Assim como as crianças, a Brisa não faz distinção entre pessoas. Pede carinho para todo mundo, se dá bem com todos.

Na verdade, chega a ser cansativa, já que não para um minuto. Uma carência sem fim.

Na verdade, o que ocorre é que a Brisa é um ser social, sendo neste aspecto muito parecido com o ser humano.

Hoje quando cheguei em casa, lá estava ela deitada, encostada no portão, me aguardando. Afinal, sou o líder supremo, seu cão alfa, a razão de sua existência, devoção e alvo de seu irrestrito amor. Eu entro em casa e ela me segue, fielmente, por onde eu for. Agora, sentado em minha cama digitando este texto, aqui está ela, deitada ao lado da cama. Quieta, para não me incomodar.

Por conta destas, me disseram que sou o cão alfa. Sacanagem, muita “falta de sacanagem”®.

Apesar desta devoção toda, quando eu a dispenso a situação muda. Ela não é exigente e agradece ao carinho de quem quiser lhe dar um chamego. Basta chamar. Você se lembra daquele amigo chato que topa qualquer coisa? Você tenta inventar algo que para despistar o cara mas ele não larga o osso? Pois é, ela faz tudo pelo social.

Pense naquele amigo que gosta de programa de índio. O cara gosta de correr, de escalar, de andar de bicicleta…

é louco por futebol, não pode ver uma bola. Pois é, para continuar sendo amigo deste sujeito, você vai acabar topando uns programas destes. 

Mesmo quando o amigo te dá um gelo, você fica lá esperando sua vez. Você sabe que não será esquecido para sempre.

É importante não perder o humor, já que a amizade vale o sacrifício.

Dependendo da intimidade, vale até dividir o picolé.

Para passar por tudo isto e continuar sendo amigo, só mesmo sendo um cachorro

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