Uma pergunta difícil


Ser pai é ter um desafio novo a cada dia. Tem hora que você acha que vai ficando mais fácil à medida em que eles crescem, mas não é o meu caso.

Quando eles eram bem pequenos, tínhamos muito trabalho com os cuidados básicos. Era preciso avaliar que tanto de mamadeira fazer, qual a freqüência da troca de fraldas, o que fazia o menino chorar. Será que tem algo machucando ou doendo? Está querendo chamar a atenção? Estamos mimando demais? Fato é que ninguém sabe ao certo porque um bebê está chorando.

Um dia, eles aprendem a andar. No segundo seguinte, eles percebem que andar é para os fracos. Legal mesmo é correr. E eles correm o tempo todo, em todas as direções, tentando pegar qualquer coisa que lhes esteja ao alcance. E quando você vai atrás de um, o outro enfia o dedo na tomada. É uma beleza quando eles dormem. Seria ainda melhor se ao invés de revezarem eles fossem dormir ao mesmo tempo.

Num piscar de olhos, o tempo já passou. Quando você assusta, eles já estão andando de bicicleta, o que significa que você tem um encontro marcado nos parques todos os fins de semana. E não em ninguém para ajudar a colocar as bicicletas no porta-malas. E eu posso garantir que é um saco tentar colocar duas bicicletas no porta mala do meu carro.

E alguém me explica porque lutar é tão divertido?

E aí eles aprendem a ler. A partir daí, começam a fazer as perguntas mais difíceis, melhor elabordas. Algumas não são tão elaboradas mas continuam muito difíceis de responder. Eles começam a questionar porque você trabalha tanto, porque brinca tão pouco, porque eles têm que comer a comida que não gostam, porque não podem fazer o que querem e porque os adultos tem toda a liberdade de escolher.

Ontem, eu tive que responder a pergunta mais difícil até agora. “Pai, você quer brincar comigo agora?” Esta é difícil porque dói. E ela dói porque quem faz esta pergunta é um menino que está com saudades do seu pai. Não faz diferença qual será a brincadeira, que jogo vamos jogar. Posso escolher o que mais me interessar. Ele não se importa com o que vamos fazer, mas em fazermos algo juntos.

Esta pergunta normalmente surge quando estou tentando me concentrar em terminar de fazer alguma coisa. E ela dói porque percebo que eles tem prioridades melhores que as minhas. Para eles a prioridade é fazer algo com alguém que eles amam.

Esta é a pergunta que merece uma boa resposta.

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