Eu e a fotografia: uma história


Ainda criança eu já gostava de equipamentos e tecnologia. Lá, no anos 70, em uma família pobre, não havia equipamentos interessantes além da tv e do aparelho de telefone, ambos intocáveis. Algumas vezes eu desmontei nossa Philips 26 polegadas, colorida, que sintonizava 12 canais para tentar resolver algum problema. Abri, olhei, fiz cara de que era muito complicado, fechei de novo e liguei para o técnico.

A situação mudou quando meu pai comprou uma Yashica MF-1. A câmera era divertida, já que tinha um fotômetro primitivo e permitia ajustar a ASA dos filmes. Nasceu aí a paixão pela fotografia. Na lua de mel, ainda com uma ‘point-and-shoot’, revelava 2 filmes de 36 poses por dia. Não me importava com a qualidade, me importava com o registro.

Já no início do século 21, com a redução do preço das câmeras SLR, comprei minha Rebel 2000. Um mundo novo se abriu. Comecei a me interessar por lentes e acessórios. O ritmo frenético de fotografar continuava, agora com mais empolgação. Relutei em migrar para o mundo digital, que veio a acontecer em 2006 com uma Sony DSC-H1, rapidamente substituída por uma EOS Digital Rebel XT. Afinal, não dava mais para usar uma câmera que não fosse SLR. Tripés, lentes e flashes começaram a compor minha lista de equipamentos.

Em 2007 fui apresentado ao livro 

 de Bryan Peterson e a partir daí percebi que havia muito o que estudar e aprender. Se já era divertido fotografar, muito melhor seria se o resultado fosse bom. Eu queria bastante fazer um curso de fotografia, mas a correria de trabalho e mestrado me impediam. Livros e mais livros serviam de fonte de instrução.

Já em 2008, perdi todo o meu equipamento em um assalto, mas não desisti. Consegui que um amigo me trouxesse de uma viagem uma Nikon D80 e aos poucos fui refazendo o arsenal. Já incomodado com a minha necessidade de estudar, comecei um curso aqui e outro ali, até que em 2009 iniciei meu curso completo na Escola de Imagem. 

Eu me matriculei esperando melhorar minha competência técnica, pensando em, quem sabe, iniciar uma nova carreira. Algo inesperado me aconteceu. No convívio com os colegas e professores, fui aprendendo que a técnica, por necessária que seja, não basta. Os equipamentos deixaram de ser uma oportunidade, passaram a ser um limite. O desejo de ser profissional cedeu espaço para o desejo de ser um artista.

Aprendi que fotografia é o registro do belo, é ser capaz contar uma história com uma imagem. Aprendi que o resultado na tela depende dos relacionamentos, do empenho, do interesse pela mensagem. Aprendi que fotografia tem graça quando mexe com a gente. Aprendi que uma grande imagem surge de um fotógrafo que se deixe emocionar pela cena, pelo fotografado, pela beleza. O curso me desafiou a procurar beleza ao meu redor. O curso me desafiou a ver o mundo de outra forma.

A fotografia me instiga a encontrar valor no comum. A fotografia me impulsiona a procurar o belo. 

A fotografia me apresentou um mundo novo.

PS: Este post foi escrito para o blog da 

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