E, sem saber, hospedaram anjos


Já estamos morando na Califórnia há quase 4 meses, e neste tempo já tivemos a alegria de receber amigos do Brasil em 3 situações. Já recebemos  vários casais para jantar e fizemos alguns churrascos. Se juntarmos todo mundo já recebemos mais de 40 pessoas. Já tem gente desembarcando no próximo mês e contamos com a casa cheia para o Natal e ano novo. Alguém pode achar que está muito. Será?

Mesmo antes de casarmos este era um sonho que tínhamos. De vez em procuro identificar onde isto começou e me lembro das histórias que a Carina conta. Sua avó recebia mendigos em sua casa em Manhuaçu, os alimentava e vestia. Sua mãe, talvez um pouco mais contida, mantém uma casa sempre cheia de parentes, residentes temporários, pacientes do interior que estão em tratamento na capital e visitantes para as refeições, sempre fartas e exageradas em sua quantidade.

Tudo indica que já virou uma tradição familiar. Alguns amigos dizem que a Carina sabe receber, que as pessoas ficam à vontade em nossa casa. Outros  já nos disseram que nossa casa parece ser doce já que atrai tanta gente. Seja qual for a razão, é comum termos amigos em nossa casa. É um privilégio que faz parte do que da essência da nossa família.

Lembro que há alguns anos o Rafael nos perguntou: “Quem virá em casa hoje?”. É tão comum termos visitas que novidade para ele seria a gente fazer algo apenas para nós quatro. Sempre desejamos que nossa casa pudesse ser um ponto de descanso, um oásis onde pessoas pudessem vir, ser recebidas, ouvidas e abençoadas. Ou apenas termos um tempo agradável, alegre e descontraído. Seja lá qual for o motivo, você será bem vindo em nosso lar.

Claro que há um preço para tudo isto. Sempre que vem alguém em casa a Carina meticulosamente prepara a casa para a recepção. Vamos atrás do cardápio, dos ingredientes, do preparo, do que for necessário para que nossa visita possa compartilhar do melhor que temos a oferecer. Ao final temos o trabalho de limpar e ajeitar tudo de volta ao seu lugar rotineiro. E, mais do que o trabalho, a sensação boa de ter tido o privilégio de servir nos confere o senso de realização que realimenta a disposição. Cansaço? Sim, claro. Satisfação, sim, sem dúvida.

(olha o tanto de gente com olho fechado nesta foto…)

As razões que trazem os amigos à nossa casa são as mais variadas. Durante 2010 recebemos casais que vinham semanalmente participar de um encontro familiar. Outras visitas não são regulares, raramente se repetem. Alguns aproveitam as férias e vem dividi-las conosco. Outros precisam de uma parada no meio da viagem. Outros se desviam de seu caminho para nos dar um abraço. Alguns vêm confraternizar ao redor da churrasqueira. Festas, aniversários, Natal e Reveillon! Outros apenas vem nos dizer que sentem nossa falta e voltam deixando nosso coração cheio de saudades e boas lembranças.

O mais bacana disto tudo é que a gente sempre cresce com cada uma destas experiências. Sempre aprendemos algo, sempre ganhamos um tesouro. Cada um que vêm à nossa casa deixa conosco um pouco de si, de suas alegrias, de suas dores, de suas cargas, de suas lutas e de suas conquistas. Cada um deixa um exemplo, uma palavra, um conselho ou um sorriso. Todos deixam saudades.

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