As aventuras de um pai sem noção


Quando eu ainda não tinha namorada, fui convidado para dar uma palestra com o título “Namoro, Noivado, Casamento e Sexo”. Quando minha esposa e eu ficamos noivos, nos tornamos conselheiros de casais. Logo que nos casamos, passamos a dar palestras em congressos internacionais sobre criação de filhos. Agora que nossos filhos já tem 9 anos, estamos nos aposentando das palestras para pais de adolescentes e preparando para o lançamento do nosso novo livro: “E o ninho está vazio”, voltado para casais que se vêem novamente a sós dentro de casa.

A graça desta história está na dolorosa constatação de que a teoria é sempre muito mais simples, fácil e segura do que a prática. Como vou ensinar sobre como se deve fazer quando, olhando para o que já fizemos, vemos que erramos tanto? Sempre foi divertido apontar os erros dos outros. Depois de cometer os mesmos (ou piores) erros, eu acho graça quando recebo conselhos sobre educação de filhos de quem nunca educou ninguém.

A gente tenta se preparar para o futuro. Lê livros, assiste palestras, observa as pessoas próximas. Talvez por isto é que o futuro parece mais fácil. O acúmulo de informação nos traz sensação de segurança. Já reparou que as montanhas russas são mais legais quando você vai entrar na file e ficam aterrorizantes quando você vai entrar no carrinho?

O que eu tenho percebido ao longo do tempo é que na verdade eu não tenho a menor noção do que vou enfrentar quando o momento chega. É no presente que as dificuldades aparecem. É no presente que a adrenalina acelera o batimento. É no presente que acerto e erro. É no presente que realmente defino meu futuro, o futuro do meu casamento, o futuro dos meus filhos. É no presente que percebo que os livros, conselhos, teorias não puderam, por melhores que sejam, me preparar para as emoções que estou sentindo.

Dias difíceis vem e vão. O medo do futuro também vem e às vezes demora para ir embora. Tantas dúvidas, tantas perguntas. Notícias que gostaríamos de nunca receber. Reações que gostaríamos de jamais ter tido.

Ao ser surpreendido diversas vezes pelo presente e não saber o que fazer ou ainda pior, não conseguir avaliar se o que acabei de fazer  era o melhor a ser feito, notei que eu devia mudar minha abordagem. Ao invés de gastar meu tempo preparando para a próxima fase, porque não tentar viver o momento com bastante intensidade? Porque não aproveitar cada momento profundamente, tendo consciência de que ele jamais se repetirá?

Sendo como sou, tem demorado muito para eu aprender esta simples lição. Talvez eu não posso ainda dizer que aprendi, mas vamos caminhando. O resultado é que está mais leve e gostoso viver sem ter a pretensão de saber o que fazer. Aproveitar o momento pelo momento, aprender com os muitos erros, celebrar os acertos e curtir o tempo em família tem sido a melhor aventura pela qual já passei.

Queria poder fazer minhas as palavras do meu filho Rafael: “Não sei o que é um dia ruim. Para mim, todo dia é igual”.

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