O Banco vazio


Há algo de melancólico nesta imagem. Poder ser a presença de folhas secas, indicando abandono ou descaso. Pode ser a tonalidade mais escura, a ausência de sombras definidas ou a falta do sol indicando um dia sombrio.

O que me incomoda nesta figura, no entanto, é a ausência de gente.

Banco de praça foi feito para as pessoas, que depois de correrem a vida toda, querem sentar e desfrutar a paisagem. É o lugar de observar as crianças brincando, de conversar sobre amenidades. Ou deixar o tempo passar. Ler um jornal, descansar. O jornal nem precisa ser de hoje. Aproveitar o tempo como se ele fosse eterno.

O banco da praça nos ajuda a parar. E se você não parar preventivamente, vai acabar parando por necessidade.

O banco da praça é o melhor lugar para se desfrutar um picolé. Cercado de árvores, protegido do calor por uma sombra também refrescante. Tranquilamente deixando a boca se lambuzar. Sem se preocupar, sem se incomodar.

Já pensou esta boca no sofá da sala? Sem chances.

Em cada praça que vamos encontramos brinquedos diferentes. Alguns são desafiadores e difíceis. Apenas os bancos parecem iguais. Na hora do aperto é certo que o papai e a mamãe estão lá no banco. Eles sempre estão. O banco não muda.

Algumas vezes a gente presencia um tombo do banco. Aprender a levantar é parte da brincadeira.

Às vezes a gente precisa usar o banco para pensar. Refletir, reconsiderar. Nem sempre está tudo certo e o tempo a sós nos ajuda a realinhar, rever as posturas. Melhor quando a reflexão é voluntária mas ela funciona bem mesmo quando é compulsória.

O banco da praça é um lugar de encontros. Aquele vizinho do “bom dia, boa tarde”, o amigo que também só faz programa com os filhos ou aquele primo querido que não vimos a semana toda.

Certo é que banco sem gente não tem graça.

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