Diferentes perspectivas


Ontem comemoramos o 6º aniversário do meu sobrinho Bernardo. Garoto alegre, espoleta e muito ágil, gosta de uma bola de futebol. Ontem mesmo, na festa, deu um chute mal direcionado que após assustar todos os que estavam próximos da janela que serviu de amortecimento, nocauteou uma garrafa de Coca-Cola®. Genética é algo impressionante.

Como toda festa na família, eu levo minha mochila tamanho G, cheia de bugiganga. Quase um estúdio nas costas. E, invariavelmente, fico arrependido quando tento encontrar algo novo para fotografar. As mesmas pessoas, as mesmas luzes, o mesmo quintal. E as festas às sexta-feiras, sempre após uma semana muito carregada e cansativa. Quase sempre o resultado não justifica o peso que carrego. Melhor eu arrumar uma câmera simples, barata e leve. É, mas se eu estivesse com uma câmera simples, eu só ia querer fazer fotos que o equipamento não seria capaz de atender. Paradoxo da mochila.

Vou colocar algumas fotos do aniversário, mas antes vou descrever a foto do início. Temos três garotos diante da mesma situação. Vários salgadinhos disponíveis: cachorro quente, torta, coxinha. A coxinha feita pela minha sogra, muito boa. Digo, não a sogra, a coxinha. Alguns doces ainda não liberados. Um cara com uma câmera enorme apontada para eles. Um monte de gente falando alto ao redor da mesa. A expectativa de cantar o parabéns. Um bolo de chocolate. Enfim, brigadeiros. 

Surpresa, como em toda festa.

Interessante é que cada um dos meninos demostra uma reação diferente. O primeiro, da esquerda, tá todo animado. Continua segurando a meia-coxinha que lhe resta e que agora faz parte da pose. O sorriso forçado deixa claro que é importante sair bem na foto, ou pelo menos tentar. É o que fazemos, certo? Encaramos as situações com grandes expectativas, grande animação, grande alegria. Mesmo que a situação não seja lá isto tudo.

O garoto do meio está meio perdido. Tem mais de uma câmera, mais de uma oportunidade. Qual aproveitar? Para onde olhar? Acabou olhando para a câmera pior. É o que fazemos, certo? É o paradoxo da escolha. Quando não temos opção, nos resignamos e procuramos fazer uma limonada com o pacote de limões azedos que colhemos. Mas quando temos opção, e ambas são boas, ficamos com medo de não escolher o melhor, mesmo que a outra opção seja muito boa. Para quem nos olha, parece que estamos olhando para o lado errado.

E temos também o dono da festa. Se tinha alguém que devia estar satisfeito era ele. Ganho presentes, estava próximo de seus primos, estava brincando a noite inteira. A festa era dele, era para ele. Mas ele estava reclamando alguma coisa com alguém. É o que fazemos, certo? Reclamamos de algo que ninguém sabe o que é. Ninguém explica. Ninguém concorda. Ninguém entende.

Entender gente é difícil. Tem até curso superior para isto.

Enquanto o video game hipnotiza alguns, outros são hipnotizados pela lente.

Ou então fazem muita força para agir naturalmente.

Ou agem espontaneamente porque não fazem idéia do que está acontecendo.

Outros são espontâneos naturalmente.

Mas somos sociais e o comportamento de uns influencia os dos outros.

O primeiro vê e dá a idéia.

Mais dois ficam interessados. Um terceiro se aproxima.

Já tá parecendo que uma hola vai se formar.

Ninguém mais entende porque há tantas mãos estendidas para o bolo.

Realmente a idéia de colocar a bala na vela acesa é uma novidade. Diferente pessoas, diferentes perspectivas.

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