Um mundo confuso


Segundo o clichê, o mundo é pequeno e dá voltas. Vivemos num mundo onde as distâncias são curtas mas o espaço entre as pessoas é abissal. Quanto mais tecnologia temos para facilitar nosso dia a dia, menos tempo temos. Ir ao outro lado do mundo leva pouco tempo, mas ir até o vizinho leva 3 anos.

Temos muitas oportunidades, entretanto alcançamos pouco. Ganhamos mais dinheiro que nossos pais, mas economizamos menos. Entendemos mais sobre os alimentos e nos alimentamos com menos qualidade. Os jovens nunca tiveram tanta informação ao seu alcance e nunca demoraram tanto para chegar à maturidade.

Parece um contra-senso que as maiores conquistas vêm daqueles que tem menos oportunidade. O legado parece ter um efeito contrário. É como se uma geração não conseguisse passar seu aprendizado à que lhe sucede. Passamos conhecimento, no entanto, observamos menos sabedoria.

Estas observações aparentemente negativas ecoam pelos séculos. Parece que ao chegar à meia idade os homens se encontrem num conflito interno que se torna um filtro pelo qual analisam o mundo. De uma certa forma, a visão pessimista não passa de uma projeção do desalento pelo qual atravessamos.

Quando jovem, você acreditava que podia vencer o mundo. Sabia tudo, entendia todos, tinha tudo já resolvido. Sabia o que queria, sabia como fazer, sabia por onde passar. Tinha o vigor, o sonho, a coragem, enfim, a juventude. Nada ainda conquistado, mas a sensação de que seria apenas uma questão de tempo para colher os frutos.

E a vida vai se acomodando em seus eixos. O trabalho começa a frutificar, a família começa a crescer. Aqueles meninos que em tudo dependiam do seu cuidado e atenção começam a ensinar-lhe sobre a vida. Aquele vigor que parecia inesgotável começa a procurar um pouso para descansar. O dia final, antes um mito, começa a se delinear no horizonte. Você começa a pensar no legado.

Quando começamos a subida  da montanha não nos preocupamos em nos preparar para a conquista do cume. Quando o cume está ao alcance, você percebe em ao seu redor só existe descida. Tanto se corre para chegar ao topo para quando lá se está perceber que o divertido era a subida. Não precisava ter pressa. Será que trilhamos o melhor caminho?

Olho para o Eclesiastes. Um homem que se aplicou a entender Deus, a vida, as pessoas, a si mesmo. E lá no final, quando o fio de prata estava para se romper, ele percebeu o que faltou na sua juventude: “Lembra-te do seu Criador nos dias da sua mocidade.”. O que conta, nesta vida, é a vida que você viveu com seu Deus.

A vida é simples, a gente é que complica tudo pensando demais.

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