Sem mãe no Dia das Mães


No dia das mães a gente se depara com diversas homenagens, todas muito belas, certamente merecidas. Há muitos anos, porém, o dia das mães não é uma data que me traz boas recordações. Hoje,  ao escrever este texto, me lembrei pela primeira vez que no último dia 30 completaram 2 anos que minha mãe faleceu. Só lembrei 8 dias depois. Minha história é uma dissonante da melodia que a maioria traz em seus corações, mas nem por isto é uma história peculiar. Talvez você se identifique, talvez você tenha alguma simpatia, talvez você aprenda alguma coisa.

Minha mãe me ensinou, pelo contra-exemplo, muitas lições sobre a paternidade/maternidade. Poderia narrar vários episódios, mas escolhi um me foi o mais significativo. Eu, muito cedo, me converti ao cristianismo. Como minha mãe dizia, eu sempre soube muito bem o que queria e aos 10 anos de idade eu sabia que seria discípulo de Jesus de Nazaré. São os seus passos que quero seguir, seus ensinamentos obedecer, sua redenção receber. A questão é que isto era algo inaceitável para minha mãe. E ela, querendo me dissuadir da decisão, fez uma aposta muito alta. Ela me mandou decidir entre Jesus e ela. Se eu insistisse em seguir Jesus, ela não seria mais minha mãe.

Diante do dilema, eu chorei muito por não ter mais mãe. Não demorou muito para eu perceber que havia sido vítima de uma cruel chantagem emocional e meu choro passou a ser um choro de raiva. Minha mãe havia acabado de perder um filho, no sentido emocional. Claro que muitos outros momentos haviam enchido este cálice que acabara de transbordar mas para mim este foi o momento de ruptura. Não havia um relacionamento forte o suficiente para absorver este golpe. Foi fatal.

As lições que aprendi são muito simples, mas julgo importantíssimas.

A primeira lição é que você, pai ou mãe, nunca deve permitir que seu filho duvide do amor que você tem por ele. Nunca ponha este amor em questão. Momentos difíceis, quando o filho vai questioná-lo, vão chegar. Fique firme e

. Ele precisa ouvir que você o ama e sempre o amará. Repita isto frequentemente.

A segunda lição é que você, pai ou mãe, deve amar seu filho incondicionalmente. Ele vai fazer escolhas diferentes das que você faria, vai trilhar caminhos que vão lhe desagradar, vai afrontá-lo ou desafiá-lo. Continue amando.

. Isto não quer dizer que você deve abrir mão de seus valores ou fingir concordar com o algo que não aceita. Significa que você estará ao lado dele, sempre que ele precisar. Significa que você vai sempre lutar pelo seu bem, custe o que custar.

A terceira lição é que você, pai e mãe, precisa ser o porto seguro de seus filhos. Nós, enquanto filhos, gostamos de mostrar nossa independência, nossa capacidade de resolver a vida, exibir a propriedade do nosso nariz. Embora seja isto o que queremos mostrar, lá dentro a gente não sabe se vai dar certo. Quando não temos certeza de que restará uma ponte no caminho de volta, alguns de nós desistem da aventura. Outros mergulham de cabeça, arriscando muito o mais do que seria adequado. É mais fácil arriscar o vôo inaugural se você souber que, se arrebentar o bico no chão, pode subir de volta ao ninho que será bem-vindo.

.

Hoje minha mãe não está mais aqui. Eu estava ao seu lado nos seus últimos dias, mas nunca tivemos um relacionamento próximo, daqueles que deixam saudades. Procurei ser um bom filho, talvez não tenha conseguido. Procurei perdoar e não guardar mágoas, mas quem conhece o coração do homem? Histórias não são reescritas, cicatrizes não se apagam, tempo não se recupera.

Se você tem filhos, dê-lhes muitos motivos para sentirem saudades de você. Seja o melhor pai ou mãe que puder ser. Eles serão mais felizes se chorarem pelos pais que perderam, do que se chorarem pelos pais que nunca tiveram.

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