Longos dias, curtos anos


Enquanto estamos vivos, sonhamos. Todos desejamos dias melhores, mais felizes, dias de paz e de sucesso. Há este desejo insaciável no coração de cada um de nós por um futuro melhor. Esperamos o dia em que vamos desfrutar os prazeres de uma vida vem vivida, de acordo com os padrões que cada um impõe sobre si, a realização da missão pessoal. Ou esperamos aquele dia em que já teremos comprado tudo o que se pode comprar. Embora nem todos façamos os planos necessários para alcançar o que desejamos, todos esperamos encontrar sua realização em nosso futuro.

Muito frequentemente nós não percebemos que nossa rotina diária está contribuindo para a realização do nosso tão desejado futuro. As tarefas pequenas, triviais, não são consideradas importantes o suficiente para serem lembradas. Quem quer lembrar dos pratos que lavou? Ou das contas que pagou? Ou ainda daquele emprego chato, cansativo e repetitivo que suga nossas energias e paga pouco? Estes são obstáculos, pedras no caminho que precisamos remover para alcançar a felicidade. São coisa que se desse a gente não teria em nossa vida.

Desde que nascemos, todos começamos a envelhecer. E quando ficamos experientes na arte de envelhecer começamos a notar que a percepção do tempo depende de alguns fatores, como expectativas, ansieade ou prazer. O tempo é curto quando fazemos o que gostamos e fica parado quando ainda estamos fazendo o que queríamos já estivesse pronto.

Este é o paradoxo do tempo: ele fica mais lento quando queremos que ele passe rápido e fica ligeiro quando queremos que ele pare. Já percebeu que o caminho de volta das férias é sempre menor que o caminho de ida? A expectativa do tempo gostoso que teremos torna a rodovia um inimigo a ser vencido, uma barreira entre nós e a felicidade. E como a ansiedade vai aumentando, nossa percepção é de que o tempo está mais lento. Quando estamos aproveitanto as férias o tempo passa voando, nem percebemos.

No entanto, o paradoxo não é do tempo e sim da nossa vida.

Quando olhamos para nosso passado ou futuro distantes, olhamos para os grandes fatos, grandes realizações, grandes eventos. Olhamos para as coisas que vão nos definir pela sua magnitude e importância. Não procuramos os detalhes, mesmo porque já forem esquecidos. E como estes eventos são poucos e raros não temos muitos para contar. E nesta análise o tempo parece curto, que já muito dele se passou e pouco resultado temos para contar.

O oposto acontece em nossos dias. Muitos de nós, quando chegamos no nosso trabalho, já estamos torcendo para o dia acabar. Não temos prazer ou senso de realização ao repetirmos, dia após dia, as mesmas tarefas que compõe a maior parte dos nossos trabalhos. Vemos muitas coisas para fazer num pequeno espaço de tempo. E por isto, os dias são longos.

Nós lutamos nossas batalhas nossos dias e curtimos nossa vida nos anos. Não seri a mais sábio se soubéssemos fazer cada dia valer a pena ao invés de apenas contarmos nossos anos?

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